quinta-feira, 12 de julho de 2012

Texto 2 - Edição #08

VIOLÊNCIA

As pessoas que formam nossa sociedade acreditam cegamente que a ação violenta parte do ser humano que não possui caráter ou boa índole. Mas seria mesmo uma questão de caráter e boa índole ou uma questão da realidade do mundo em que vivemos?
Observando por uma visão de sociedade mais ampla e se repararmos na situação do mundo hoje, poderiamos analisar a violência de outra maneira. De uma forma que culpe menos o ser humano e entenda um pouco mais sobre as consequencias que o sistema no qual vivemos hoje nos traz.
No século XVIII com a Revolução Industrial surge o Capitalismo, sistema no qual o capital prevalece e sua principal consequência é a desigualdade. Desde então surgiram duas classes sociais: a burguesia (ricos) e a trabalhadora (pobres). Mas em que o sistema capitalista está relacionado com a violência? Em TUDO.
Mediante à imensa desigualdade social, as pessoas de classe baixa são obrigadas à roubarem para conseguir dinheiro e assim realizar algumas de suas vontades. Parece até mentira, mas se você imaginar uma sociedade igual, sem diferença entre rico e pobre e se todas as pessoas pudessem ter acesso a tudo o que produzem e trocassem esses produtos com aqueles que produzissem algo diferente dele, não haveria a necessidade das pessoas roubarem o que é seu, pois todos iriam produzir e trocarem por aquilo que não tem, em um consenso geral. Exemplo: eu cultivo arroz e colho cerca de 2kg por dia, porém eu e minha família consumimos somente 1kg. Você produz feijão e colhe cerca de 2kg por dia, mas só consome 1kg por dia. Então eu troco 1kg de arroz com você por um 1kg de feijão e ambos teremos arroz e feijão todos os dias para comer. Conclusão: teríamos acesso ao que produzimos e, eu e você, conseguiríamos trocar nossa produção e nos manter com elas sem a necessidade de roubar o seu feijão e você o meu arroz. (Obs: este é um exemplo bem simples).
Porém a violência não se resume à roubos. Existem violências físicas, psicológicas, raciais, sexuais, discriminatórias e diversas outras. Claro que esses outros tipos não serão resolvidos na base de troca entre arroz e feijão, mas elas também possuem ligação com o sistema em que vivemos.
A raiva e o dinheiro, que regem o mundo, são algumas das grandes causas de tanta violência, pois na medida em que você não tem renda, chega em casa e vê suas contas vencendo, sem dinheiro para pagá-las, sua principal reação será a raiva ou o desespero, e algumas pessoas se rendem ao roubo ou até mesmo ao tráfico para conseguir dinheiro. A raiva ainda pode resultar em violência doméstica, pois você sente a necessidade de descontar o que sente em alguém, o que consequentemente se torna também violência psicológica.
As ações humanas não partem simplesmente de vontade, existe uma grande influência da vida sobre elas. Lembre-se do massacre das crianças na escola do Realengo há um tempo atrás, que ocorreu no Rio de Janeiro. Muitos dizem que aquele homem que entrou na escola e matou cerca de 10 crianças era louco, mas se analisarmos com outra concepção podemos pensar que ele fez tudo aquilo talvez por ter sofrido bulling quando era criança, e estudava naquela mesma escola, o que também é uma forma de violência e deixou grandes marcas na vida dele. O massacre foi um caso de violência gerado por outro tipo de violência sofrida pelo agressor quando menor.
Temos também a violência sexual e um exemplo claro é o estupro. Neste caso, além do grande machismo existente no mundo e do fato das pessoas ainda acreditarem que "mulheres são estupradas por conta do short curto que usa", existem homens que violentam mulheres pela grande pressão psicológica de um mundo que crê no ditado: "o homem só é homem quando transa, nem que seja a força, com a maior quantidade possível de mulheres", ou mesmo por alguma frustração/discriminação sofrida enquanto criança, por exemplo: "ah ele é bixinha porque não catou a menina", o que também deixa marcas e ele só conseguirá tomar alguma providência quando maior. Por mais que demore, todas essas frustrações terão influência em alguma ação realizada por essa pessoa, seja ela violenta ou não.
Eu poderia citar mais milhões de exemplos de todos os tipos de violência, seja racial, física, discriminatória, etc. Porém a questão tratada é: todo tipo de violência é gerada por um contexto de vivência e tem ligação direta com o mundo no qual vivemos, pois se este não fosse gerido pelo dinheiro, o que consequentemente cria a ganância em querer estar "bem de vida", as ações humanas, por estarem em um mundo IGUAL e sem discriminação, iriam ser diferentes e nenhum contexto de vivência tão ruim ao ponto de gerar violência, influenciaria sobre as ações dos humanos.
Claro que a violência e o mundo não se mudam de uma hora para outra, mas se a sociedade se informar mais e deixar de culpar o ser humano, será possível ocorrerem mudanças em tudo o que nos influencia hoje.

INFORMAR PARA PODER ATUAR!


Texto 1 - Edição #08

Já pararam pra pensar que a culpa da violência é sempre da mulher?

Pois é, eu mesma já ouvi isso diversas vezes.

"Nossa, mas ela foi estuprada? Também, devia estar andando sozinha na rua e ainda à altas horas da noite..."
"A Joana apanhou do marido? O que será que ela fez?"
"Mexeram com você na rua Lúcia? Você estava com aquele vestidinho super curto de novo, não é?"

Você também já deve ter ouvido por aí algumas frases como essas.

Os responsáveis pela violência/assédio sexual/moral não são as suas vítimas! Uma mulher tem o pleno direito de ir e vir para o lugar de onde desejar e a hora que bem entender, tem o direito de expressar suas opiniões sem ser agredida por maridos/companheiros, e pode se vestir da forma que julgar necessária. Os verdadeiros culpados são aqueles que não respeitam a liberdade da mulher, que se acham seus donos. Os culpados são os estupradores, sequestradores, assassinos que cometem esses atos de violência.
A mulher não tem que carregar nas costas a culpa por uma sociedade sem segurança pública (nem preciso comentar sobre o nosso sistema podre e falido), e onde o machismo impera até os dias de hoje.
Não é justo que nós tenhamos que pagar o preço pela ignorância alheia. A sociedade precisa parar de jogar em cima da mulher a responsabilidade por atos violentos cometidos por terceiros!

Lutamos pelo direito à liberdade e segurança da mulher!


domingo, 1 de julho de 2012

Capa - Zine #08

Texto de Contra-Capa - Zine #07

MAQUIAGEM OU MÁSCARA?

A maquiagem bem como alguns acessórios, atualmente são itens obrigatórios na roupagem de uma mulher. Motivo?
Ficar mais bela, sexy, esconder algumas imperfeições naturais e chamar atenção para partes específicas do corpo.
Abri os olhos ainda há pouco, é verdade. Mas consegui ver quanto tempo já gastei para compor um "look perfeito", combinando esmalte, maquiagem, acessórios (brinco, colar, pulseira, cinto) e afins... afinal, pra que tudo isso? Qual a razão? Não se aceita do jeito que é? Com espinhas, marcas de expressão, cicatrizes? Não se acha bonita? Quer atingir o padrão do que é considerado belo? Isso não é correto!
Veja que não sou contra a mulher se maquiar, usar os acessórios que deseja; mas sim contra o real motivo. A faz sentir bem? Ótimo! No entanto se você se arruma assim para aparentar algo melhor, ou por medo de te verem como de fato é... acho que deve rever alguns conceitos!
Aceite-se do que jeito que é e os outrxs aceitarão também.
Se o que ainda importa é o sentimento puro, este vem com ou sem maquiagem, com ou sem roupas da moda, com você sendo ou não um outdoor de tudo o que exatamente não é!
Não tenha medo de se assumir, não tenha medo de aparentar o que você realmente é!

***Texto super válido também para homens (não tenham medo/vergonha de apreciar a beleza natural!!!).

Texto 5 - Edição #07

LUGAR DE MULHER É NA REVOLUÇÃO! E DE PIRIGUETE?

Eu gostaria que essas palavras, ao invés de escrita, fosse dita pessoalmente pra cada pessoa que viu o ocorrido. Mas como o mundo dá volta, isso é impossível na minha atual situação.
Em setembro passado a banda The Adicts esteve em Sampa novamente. O evento foi bacana, com bom público e blá blá blá. Isso todo mundo sabe e nem interessa. Aliás, nem sei porque tô perdendo tempo falando sobre o evento. O que realmente importa é o motivo pelo qual falo com vocês, foi o que rolou durante a música "Naughty Girl". Nesse som, o gatíssimo (e eleito o cara mais sexy do mundo por duas dúzias de xerecas piscando) vocalista da banda, o Monkey, chamou algumas garotas pra subirem no palco e dançarem. E lá fomos nós em direção ao palco.
Mas não foi tão fácil como vocês imaginam. Estamos acostumados a colar nos sons e ficar lá pagando de decoração ou desfilando nossos dotes físicos pra lá e prá cá, ficando só na admiração dos gatinhos punks no móxi piti. Então pra subir no palco foi complicado precisamos da ajuda da equipe de seguranças, que empurraram a gente palco acima e ainda tiraram uma casquinha esbarrando em nossos peitos e bundas (sem pobrema!).
Já no palco, logode cara começamos a danças sensualmente, tentando mostrar que se a gente não se garante com o cérebro e nem no móxi piti, pelo menos no rebolado somos foda! Pra algumas, só faltou aquele poste que tem em boate de strip. Nesse momento, percebo olhares de reprovação vindos da plateia 9e també de tesão... eu acho). Mas foda-se, o lance era tirar uma casquinha com o Monkey. E aí o bicho pegou!
Conforme a música ia rolando, as xerecas começaram a ficar atacadas e de repente várias começaram a se esfregar no cara, era mina beliscando, passando a mão e num piscar de olhos começou uma fila pra ver quem conseguia enfiar a língua na boca dele. E esse bacanal rolou até o fim da música, quando fomos convidadas a vazá do palco. E como somos umas panacas, nem pra descer rolando nóiz foi capaz, tivemos novamente a ajuda da equipe da banda e dos seguranças (e mais algumas bolinadas... sem pobrema!).
E você que tá lendo isso deve tá pensando porquê tô explicando essa fita? Então, fizemos esse papelãp porque apesar de falar mal da mulher melancia/melão/banana/abóbora/tomate/tofu/alface, das dançarinas de axé e das escolas de samba que balançam suas bundas, das minas que usam fotoxópi pra aparecerem peladas na revistas, da imposição de padrões de belezura fora da realidade, das barangas que são modelos, das putas que ganham a vida metendo (ganhando dinheiro fácil ao invés de arrumar trampo decente, né não?), apesar do nosso discurso feminista/anarquista/libertário/igualitário, somos apenas piriguete!
Nunca fomos Punks! Não gostamos de ler (só vale ler recado nas páginas das redes sociais), não pensamos, não usamos o cérebro pra produzir algo útil, não escrevemos em blogs ou zines (só recados nas páginas das redes sociais), não montamos bandas, não apoiamos e nem participamos ativamente da cena, quase não colamos nos rolês, apenas parasitamos no rolê. Ficamos felizes em cuidar da vida dos outros, de procurar roupas pra fazer o visu mais espalhafatoso raw droog pin up do rolê, de fazer fofocas, de olhar com desdém pras minas que são correria e de ficar tirando foto fazendo cara de lambisgóia. Ficamos felizes em ser mina de algum punk, e em alguns casos, de ser o saco de pancada e o seu depósito de porra. Pra gente, isso basta.
Somos uma farsa! Usamos o punk pra autopromoção, pra xocar amiguinhos da escola e vizinhos, pra xocar papis, mamis e família. Pagamos de algo que muita gente leva a sério e rala por isso, enquanto nóis não entendi nada e só repeti umas falas manjadas e zuamos o barraco. Porque é só tricar uma ideia de leve com a gente pra vê que nóis é vazia, pra vê que nóis é piriguete. E na boa, se pá nem queremos mudá essa situação, porque informação é fácil conseguir, falta é vontade mesmo.
Enfim, nem todas que tavam no palco são assim, e elas representam. Mas uma boa parte que tava, se pá a maioria, são piriguete. Imagina em quanto rolê algum cara veio trocar ideia, querendo ficar e as mina foram logo com aquele papo de respeito e tals? Ou então não quiseram ficar com o cara porque acharam que era feio.
Bom, já disse no início que gostaria de falar essas fita pessoalmente, mas não é possível por motivo de força maior. Mas espero que esse canal que usei tenha sido o suficiente pra esplicar ou talvez começar um debate sobre algumas atitudes que muita mina costuma ter no rolê.
E só pra constar, peço desculpa pelos erros de português e de concordância. Mas como não leio, tenho dificuldade pra escrever. So
Jujuba HC Raw Droog 77 faleceu na noite de 11/09/2010, quando retornava da apresentação da banda The Adicts. Segundo testemunhas, a jovem piriguete olhava as fotos da esfregação que rolou no palco com o vocalista da banda, quando caiu dentro de um bueiro destampado e morreu afogada na mistura de lama e entulho que lá estava.
Em depoimento à polícia, testemunhas disseram que as piriguetes que acompanhavam a falecida demoraram em socorrê-la, priorizando o salvamento da câmera fotográfica, onde constavam dezenas de fotos de várias piriguetes em total esfregação com o vocalista da banda citada.u burrinha mesmo!

Paz!

Jujuba HC Raw Droog 77

Carta psicografada pela médium Dis Graça da Cruz

Jujuba HC Raw Droog 77 faleceu na noite de 11/09/2010, quando retornava da apresentação da banda The Adicts. Segundo testemunhas, a jovem piriguete olhava as fotos da esfregação que rolou no palco com o vocalista da banda, quando caiu dentro de um bueiro destampado e morreu afogada na mistura de lama e entulho que lá estava.
Em depoimento à polícia, testemunhas disseram que as piriguetes que acompanhavam a falecida demoraram em socorrê-la, priorizando o salvamento da câmera fotográfica, onde constavam dezenas de fotos de várias piriguetes em total esfregação com o vocalista da banda citada.


Escrito por: TREVA

Texto 4 - Edição #07


Preconceito no Mercado de Trabalho

Século XXI. Difícil de acreditar e pior ainda de aceitar essa situação.

Muitas pessoas acreditam que a humanidade avançou em termos de igualdade social, superação de preconceito, etc.

Eu não acredito nisso.

Frente à uma situação ocorrida há algum tempo atrás, ando me perguntando algumas coisas: QUANDO vamos realmente ter uma sociedade com oportunidades iguais para todos?

O procenceito no mercado de trabalho AINDA EXISTE e é muito forte! Discriminação contra aqueles que não estão no padrão "corpinho de modelo", contra quem usa piercings e tatuagens, deficientes, negros, enfim... a lista é imensa.

Isso sem contar as mulheres que ainda hoje recebem salários inferiores aos dos homens para exercer o mesmo cargo! E aquelas pessoas que já passaram dos 35 anos que são julgadas velhas e improdutivas.

Muitas empresas antes mesmo de conhecer um candidato a sua vaga, já o descarta se possuir alguma - ou mais - características citadas acima;

A cor da pele, o biotipo físico, se o cabelo é enrolado ou liso, nada disso faz de um indivíduo menos capaz do que o outro. Afinal somos seres humanos e não máquinas fabricadas em série!