domingo, 1 de julho de 2012

Capa Zine Edição #07

Texto de Contra-Capa - Edição #06

(Sem título)

Enclausurada
na conduta programada
buraco cor-de-rosa
feminilidade artificial em verso e prosa
sou um útero sangrento
por enquanto sem um feto
unhas pintadas e face marcada
de tanto levar porrada
e a maquiagem borrada
de tanto chorar e não poder gritar
mas com bastante cachaça
quase tudo passa
menos a vontade de ter
a roupa mais nova que a moda for vender
mas pra me sentir mesmo bem
preciso de escovae chapinha também
pra transformar esse pixain
num cabelo bonito pro povo e pra mim
menina pra sempre
com ou sem produtividade no ventre
exímia dona de casa
submissa e prendada
a voz definitivamente baixa
executando as palavras ordenadas.

Por: Anônimo (São Paulo - SP)

Texto 4 - Edição #06

Mutilação Genital Feminina

Amutilação genital feminina (MGF) é uma prática cruel e dolorosa onde é retirada uma parte ou todo o órgao feminino, por exemplo: o clitóris e/ou os lábios vaginais. Existem vários tipos de mutilação genital com gravidades diferentes. Uma das práticas de maior gravidade chama-se INFIBULAÇÃO, que é a costura dos pequenos lábios vaginais ou do clitóris, deixando somente uma pequena abertura para a urina e a menstruação. Aproximadamente 15% das mutilações na África são infibulações.
A mutilação genital pode ser realizada em clínicas médicas, mas na maioria dos casos é feita pelas mulheres da própria comunidade com instrumentos como facas, cacos de vidro ou navalhas, e sem anestesia à vítima, que geralmente são crianças entre 4 e 8 anos, porém também são realizadas mutilações em mulheres adultas.
Alguns dos efeitos dessa prática são: infecções, pequenos tumores, causando desconforto e extrema dor. A infibulação pode ter efeitos mais longos e mais graves, incluindo: infecção na urina, pedras na vesícula e uretra, infecções no aparelho reprodutor devido a obstruções do fluxo menstrual e infertilidade, além de tornar as relações sexuais da vítima extremamente dolorosas. Durante o parto, o tecido cicatrizado existente nas mulheres mutiladas pode romper, e nos casos em que isso não acontece as grávidas infibuladas (como já citado: que têm os lábios vaginais fechados) têm de ser cortadas para deixarem espaço para a criança nascer. Depois do parto, tê de voltar a ser costuradas para assegurar o prazer dos maridos.
Muitas vezes são os pais que pagam ou iniciam a prática, para que as filhas possam casar com homens que não aceitariam mulheres não infibuladas ou que não tenham passado por algum outro tipo de mutilação genital.
Algumas culturas acreditam que os órgãos femininos são impuros e têm de ser purificados. Está prática é de caráter extremamente machista, já que só permite que os homens possam desfrutar do prazer sexual. E como se não bastasse, também se pensa que a mutilação desencoraja as mulheres a serem infiéis aos seus maridos, pela dor que sente no ato sexual.
Não se sabe ao certo quantas mulheres sofreram e sofrem esse tipo de agressão (acredito que podemos usar este termo, já que este ato causa dor física, humilhação e viola os direitos humanos), por conta do segredo em volta desta prática, mas estima-se que 135 milhões de mulheres tenham sido vítimas deste ato cruel no mundo inteiro.
Para elas é extremamente difícil manifestar-se contra, pois podem ser acusadas de rejeitar o seu próprio povo e sua identidade cultural.
A MGF é praticadana maioria dos casos na África, mas também é comum em certos países do Médio Oriente. Também acontece, devido a comunidades imigrantes, em certas regiões da Ásia e do pacífico, América do Norte, América Latina e Europa.

Texto 3 - Edição #06

Fevereiro! Época das chuvas de verão!

Passa a ser comum ver nos noticiários de televisão as enchentes e os desmoronamentos que acontecem frequentemente. Os apresentadores passam notícias de uma maneira como se realmente se importassem, quando na realidade para eles essa situação é indiferente, pois a mansão no Morumbi irá continuar intacta. Quanta hipocrisia!
Enfim, o tema abordado neste texto são as enchentes. Então vamos aos danos: trânsito parado, transbordamento de rios e córregos, velocidade reduzida e mais tempo de espera dos transportes públicos (incluindo metrôs e trens, que teoricamente eram para ser mais eficazes), enchentes nas próprias estações de metrô e trem, paralisação de aeroportos (por nível elevado de água na pista, entre outros motivos), queda de árvores dentro de casas e nas ruas, falta de energia elétrica, problemas com os semáforos (o que torna o trânsito mais problemático do que já é), desabamento de morros e casas, e as perdas de carros, de moradia e de VIDAS, entre outros milhares de danos não citados acima.
A cada enchente que acontece pessoas desaparecem ou morrem. Acordam no dia seguinte sem um lugar seguro para morar, ou acordam e se dão conta de que sua casa já não está mais lá.
Mediante a isso pergunto: E o governo? O que estão fazendo ou fizeram em prol dos seres humanos que sofrem com as enchentes?
Por estes dias tiver o (des)prazer em assistir uma entrevista na televisão, em um destes canais no qual o apresentador aparenta se importar com a população, com o Senhor Digníssimo (ou infelicíssimo) Prefeito Gilberto Ka$$ab. Nesta entrevista o apresentador pergunta ao Prefeito que providências estão sendo tomadas para evitar as enchentes ou reduzir os danos causados pelas mesmas em São Paulo, já que até o Rio Tietê tinha transbordado no dia anterior e tal fato não ocorria desde janeiro. O senhor Prefeito tem como resposta que as melhorias estão sendo feitas e que aproximadamente 300 homens estão trabalhando na limpeza de bueiros para não haver entupimento e consequentemente não alagar as ruas. Foi esta a sua resposta.
Pois então eu volto a questionar: o transbordamento dos rios, como por exemplo, o Tietê, Aricanduva e Tamanduateí vão se resolver somente com a limpeza de bueiros? O problema está somente na sujeira ou também na fakta de estrutura quando urbanizados? É claro que nós, cidadãos, temos que ter a consciência e contrubuir para a limpeza da cidade, pois o lixo também é causador de enchentes, mas não será só isso que irá solucionar todos os problemas causados pela chuva, mesmo porquê não é somente o transbordamento de rios e entupimento de bueiros que causam danos à cidade e à população. E os moradores reféns dos alagamentos? Terão um lugar seguro para morar onde não tenham que ficar desesperados em levantar móveis e eletrodomésticos para não perdê-los? E as pessoas que perderam seus veículos ou o que é pior, sua família, terão direito a alguma indenização? E as pessoas arrastadas pelas correntezas? Eos transportes públicos? É justo pagar o preço abusivo para esperar horas na plataforma até o trem/metrô chegar? Ou pegar aquele busão abarrotado de pessoas e ficar no trânsito mais de uma hora porque o semáforo não está funcionando ou porque a rua está alagada? E o trânsito de São Paulo, quando terá melhorias? Será que sempre que chover a cidade vai parar?
Realmente são muitas as perguntas a serem feitas. Mas quem irá responder?
O correto seria que o poder público nos desse justificativas e que agissem em prol de melhorias, pois o povo não aguenta mais ser vítimas de toda essa desgraça causada pela falta de planejamento do governo.
Será o Prefeito igual aos apresentadores dos noticiários? Finge que se preocupa, mas na realidade é só teatro, pis a mansão dele estará intacta e sem nenhum perigo de sofrer enchente.

Pois eu repito e acrescento: QUANTA HIPOCRISIA DO GOVERNO!

Texto 2 - Edição #06

Uma Jaca.

Não, não vou começar a ditar uma receita por aqui.

Esses dias chegou uma haca aqui em casa, sabem, fiquei realmente maravilhada com aquela fruta, pra não dizer um espetáculo.
Vocês já viram uma jaca? Aquela fruta é gigantesca! E ela não dá na terra, dá em árvore! Uma fruta daquele tamanho e peso pendurada por um cabinho que você olha e não dá nada.
E a aparência? Uma forma meio torta, com uns... uns... umas protuberâncias (?) estranhas...
O cheiro. O cheiro! Nossa, dá pra sentir a metros e metros de distância!
Um cheiro tão doce quanto o mel!
A melhor parte: o gosto. Inconfundível e indescritível, realmente a fruta é boa!
Tudo isso pra dizer que ajaca é bem parecida conosco, ou nós com ela, algo do gênero...
Já aconteceu de você ver uma pessoa pequena,magra, frágil e pensar: nossa, coitada, tão franzininha... Mas depois de conversar alguns minutos percebeu que aquela pessoa tem em si uma fortaleza incorporada. Ou então uma pessoa alta, fort, daquelas que você vê e pensa: Eita, essa aí deve ser uma jamanta de ignorante. Não passados 10 minutos você está combinando de encontrá-la no sábado que vem para irem juntos ao orfanato da cidade.
O mesmo acontece quando enfrentamos, ou estamos para enfrentar uma situação difícil. Perca de uma pessoa querida, o término de um relacionamento, necessidade de mudança no comportamento, etc. A primeira sensação que vem é o medo irracional e inconsciente que bloqueia e não nos deixa, de fato, raciocinar. O que poderia, e deveria ser analisado para que podéssemos enfrentar, crescer e evoluir é simplesmente ignorado, deixado de lado.
Ao julgarmos as pessoas pelas aparências, pelo que seu corpo ou jeito aparentam ser, deixamos de conhecê-las realmente: seu sabor, sua real essência. E quando julgamos uma situação necessariamente deixamos de viver, de crescer, de experimentar o novo e evoluir.
Na vida não temos tanto tempo a ponto de desperdiçá-lo, mas também não temos tão pouco tempo a ponto de deixar de viver e conhecer pessoas e situações como de fato são.

 

Texto 1 - Edição #06

Assediada, violada, desrepeitada.
Você enfrentou tudo sozinha.
Foi espancada, ofendida e estrupada,
chorou sempre sozinha.
Morou durante anos na casa dele,
seu suposto companheiro.
Aquele que te agride, que te machuca.
Aquele que faz você infeliz.
Aquele que te desmoraliza,
aquele que faz você chorar!
E você derrama lágrimas de sangue
por causa daquele que acredita ser seu dono,
que acredita ter alguma autoridade sobre você!
Você nasceu e cresceu com um sonho,
que se transformou em um pesadelo
e que agora você não consegue acordar!
Mas agora tudo está acabando
seu sofrimento, sua angústia, seus pesadelos
seus sonhos, a sua vida está indo embora
junto com o sangue que sai da ferida em você
feita por aquele que oprime você!

A atitude, a revolução e a mudança
começa por você, começa em você!
A pior coisa que se tem a fazer
é ficar calada e não fazer nada.
Vai e grite a todos que você está certa,
pois ninguém irá gritar por você!



Fanzine Edição #06